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Clima e produção no Nordeste

  • Foto do escritor: Comercial Agronômica
    Comercial Agronômica
  • 4 de nov. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 5 de abr. de 2021


"Vem chuva por aí, chegou a hora de plantar!"


Essa é a notícia que o Nordeste mais quer ouvir e que é recebida com boas vindas. Por passar boa parte do ano sem chuvas, a região anseia por esse período, com importância nitidamente expressa na vegetação que se renova, deixando tudo em tons verdes novamente. É nesse período que antecede as chuvas, onde os agricultores preparam o solo e reúnem insumos, semeando e aguardando a quadra chuvosa (entre fevereiro e junho, em média), na qual apresenta maior índice pluviométrico, fazendo produtores de culturas como milho, feijão e hortaliças em geral, aguardarem esse período, por apresentar um aumento da umidade presente no solo, facilitando a germinação das sementes, e todos os processos inerentes ao desenvolvimento bem sucedido dos vegetais . 


Com isso, tem-se uma preocupação em prever as condições climáticas, atividade de pesquisa de profissionais da meteorologia e climatologia, que se utilizam de ferramentas e técnicas para entender qual será a intensidade climática da próxima estação, onde órgãos como a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), coletam informações que são extremamente importantes para o produtor decidir em qual momento plantar, já que as atividades de cultivo previamente realizadas podem ser completamente perdidas caso as chuvas demorem mais que o esperado, ou venham em menor intensidade, causando prejuízos no final da safra, como ocorrido em 2019, onde a má distribuição hídrica causou fortes perdas (12,45% em relação à produção estimada das principais culturas) em municípios que têm a economia baseada na agricultura, influenciada por escassez hídrica em uma região, e excesso das chuvas em outras.

Pode-se observar em dados divulgados pela FUNCEME que os períodos de chuvas estiveram abaixo da média desde 2010, mas ocorreram alguns aumentos circunstanciais nos 2 últimos anos, porém, não sendo o suficiente para aumentar o aporte de água nos principais açudes que abastecem o Ceará. Podemos verificar ainda, que do volume total entre os 155 açudes do Estado, 89 deles estavam abaixo de 30% da capacidade, onde o maior açude do estado, o Castanhão, chegou a atingir 4,48% de volume hídrico em setembro de 2019 (COGERH). Atualmente, podemos confirmar no Portal Hidrológico do Ceará, no site da FUNCEME, que o volume total armazenado é de 28% (dados até 30/10/2020), estando o açude Castanhão com 12.93% até dia 30 de outubro de 2020. Volumes inferiores para distribuição de grande parte do Estado do Ceará, tanto para o uso urbano quanto para atividade agropecuária.


Mas com a proximidade do final da primavera, estação não muito comum na região, e a chegada de uma nova estação, dados do INPE indicam, que há possibilidade de aumento das chuvas no Nordeste por causa da influência do Lã Nina, fenômeno natural que consiste na diminuição da temperatura do Oceano Pacifico Tropical Central e Oriental (ZCIT), aumentando a possível presença de chuvas no Norte e Nordeste brasileiros. Apesar de indicar-se favorável, o acontecimento meteorológico deve ser observado com cautela, pois há outros fatores que também influenciam no regime de chuvas e clima no Ceará.

Sendo 2020 um dos anos mais difíceis para o mundo, onde a economia se mostra caótica, a agricultura, um dos maiores setores que permanece apoiando o PIB brasileiro, precisa ouvir boas notícias. O Nordeste, que vem sobrevivendo a seca dos últimos anos, recuperando lentamente toda estrutura agrícola, com novos investimentos e olhares do Governo Federal, como a finalização da Transposição do Rio São Francisco, que chega até os rios Salgado e Jaguaribe, abastecendo o açude Castanhão. É a partir disso que os agricultores precisam se preparar para o ínicio de uma nova era na agricultura do Estado, sem esquecer o que houve no passado e o quanto a falta d’água dificultou vidas e negócios, trazendo consigo atenção a produção agrícola, remetendo à ODS número 2 da ONU (Fome Zero e Agricultura Sustentável).


Deste modo, para um manejo adequado dos recursos hídricos e consequentemente do solo, é necessário fazer um planejamento agrícola, incluindo análises dos recursos, uso adequado de fertilizantes indicados por uma equipe técnica responsável, e um sistema de irrigação bem dimensionado, garantindo uma agricultura sustentável e responsável, conservando os recursos naturais por muito mais tempo.



Escrito por Davi Queiroz, Gerente de Gente e Gestão Agronômica

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